
Quem é o artista desconhecido?
Um homem, um génio qualquer, que habite no coração de África e produza todos os dias quadros extraordinários, sem que ninguém os veja, não existe. Dito de outra forma, o artista só existe se for conhecido. Por consequência, pode-se considerar a existência de cem mil génios que se suicidam, que se matam, e que desaparecem porque não souberam fazer o necessário para que fossem conhecidos, para se imporem e conhecerem a glória.
Tenho dúvida a respeito do valor desses julgamentos que decidiram que todos aqueles quadros deveriam ser expostos no Louvre em vez de colocar outros que nunca foram considerados e que poderiam lá estar. Marcel Duchamp�
Durante séculos as obras de arte sobreviveram sem a tirania do nome do autor. Na época medieval o objectivo era a construção de grandes catedrais, onde arquitectos, escultores e pintores trabalhavam em conjunto para edificar um projecto. A obra era mais importante que os seus autores.
O renascimento veio mudar tudo isto: o artista torna-se um iluminado, distinto do comum dos mortals, uma espécie de deus, aspirante à imortalidade. E a arte nunca mais foi a mesma, pois, a partir desse momento, o nome viria sempre à frente da própria obra. Na actualidade olhamos para as obras e já não as vemos própriamente. Necessitamos do nome de seu autor para as credibilizarmos. Para lhe atribuirmos crédito, valor cultural e comercial. Uma obra cujo autor é conhecido (portanto mediatizado) é mais fácilmente credibilisado ao nosso olhar, que qualquer outro de que nunca ouvimos falar.�
O Museu Virtual do Artista Desconhecido posiciona-se contra o mainstream das galerias, o poder dos curators e comissários que impõem ao público e ao mercado os seus próprios gostos.
O Museu Virtual do Artista Desconhecido é feito exclusivamente para todos os milhares de artistas que esperam impacientemente uma possibilidade de ver glorificado / reconhecido o seu trabalho. Para todos os que, sem distinção, praticam qualquer forma de arte digital.�